Você já ouviu falar sobre parto humanizado?

Um levantamento do SESC, feito em parceria com a Fundação Perseu Abramo, revelou que 1 a cada 4 mulheres no Brasil já sofreu violência obstétrica.

Isso significa que 25% das parturientes em todo o país sofrem algum tipo de violência no momento de dar à luz, seja ela física, verbal ou, até mesmo, por negligência.

Por conta de experiências negativas próprias ou de outras gestantes, cresce a quantidade de mulheres que, ao descobrir a gestação, procura outras alternativas ao parto hospitalar: é o parto humanizado.

Trata-se de uma maneira diferenciada de tratar mãe e filho, com algumas mudanças de protocolo e de prioridades.

Parto humanizado: mãe e bebê no centro do processo

Para entender o que é parto humanizado, é preciso compreender que, quando o procedimento é feito no hospital, a mãe e o bebê não são o centro do processo.

Por incrível que pareça, ele é todo pensado para a conveniência da equipe, principalmente do médico obstetra.

É por isso que parturientes recebem soro com hormônios, com o intuito de acelerar o parto, sofrem a dolorosa manobra de Kristeller ou são obrigadas a ficar sozinhas durante todo o tempo.

No parto natural, o paradigma se inverte: tudo é feito pensando no bem-estar de mãe e bebê. Há uma priorização do parto normal: a cesária só é feita em último caso.

Como funciona o parto humanizado?

Quando se entende o que é parto humanizado, a compreensão de seu funcionamento fica muito mais fácil. Basta compará-lo à versão tradicional, feita em ambiente hospitalar. Confira algumas das diferenças:

Não há o uso de hormônios sintéticos

No hospital, a gestante em trabalho de parto recebe soro com ocitocina na veia. Este é o hormônio responsável pelas contrações, assim, seu consumo as torna mais frequentes e dolorosas.

Apesar disso, alguns profissionais de saúde denunciam que isto não é necessário quando o parto está evoluindo normalmente: o corpo da mulher está preparado para fazê-lo progredir.

No parto natural humanizado, este medicamento não é usado. Ao invés disso, a mulher fica livre para entender o seu corpo, sendo orientada por um profissional desde o início da gestação.

A parturiente é acompanhada por uma doula

O uso da doula tem se tornado cada vez mais comum, até mesmo em partos hospitalares. Trata-se de uma espécie de coach.

Que orienta a gestante e ajuda-a a entender seu corpo, desde a gravidez até o parto. Ela trabalha, também, com o parceiro da parturiente.

Ele é orientado sobre o que fazer desde o momento que o parto começa e até mesmo nos cuidados com o bebê.

São usados métodos alternativos para a dor

Quando se dá à luz no hospital, o uso de anestesia é quase certo. Apesar do alívio em meio às dores no parto, o analgésico pode causar complicações.

E efeitos colaterais, até mesmo após seu efeito já ter passado. No parto natural humanizado, a gestante tem outras opções para fazer o controle da dor. Alguns deles são:

  • Técnicas de respiração;
  • Uso de água quente (chuveiro ou banheira);
  • Massagens com uma bola de ginástica inflável;
  • Bolsas de ervas;
  • Montagem de um ambiente agradável, com velas e flores.

Todos são alternativas não-medicamentosas para o controle da dor do parto normal, que estão à disposição da parturiente.

Há a possibilidade de o parto ser em casa

Em países desenvolvidos, como Inglaterra e Holanda, é de praxe que gestantes de baixo risco, que não apresentaram nenhum problema durante a gravidez, tenham seus filhos em casa.

No Brasil, esta ainda é uma opção menos popular entre as gestantes, mas que está ao alcance de quem opta pelo parto humanizado.

É importante contar com a orientação de uma doula e de um profissional de saúde. Ao mesmo tempo, é interessante estar próximo a um hospital, de modo que, em caso de imprevistos, o deslocamento seja rápido.

A parturiente não precisa ficar de cama

Em hospitais, a parturiente muitas vezes é obrigada a fazer jejum absoluto, tanto de comida quanto bebida. Isso significa que, na hora de empurrar, ela pode estar fraca e debilitada demais para fazê-lo.

Já no parto humanizado, não há esse tipo de restrição. A orientação é que a parturiente possa manter uma alimentação leve durante o trabalho de parto.

Além disso, ela não é obrigada a ficar de cama todo o tempo: ela pode levantar, caminhar e se alongar. Isso também colabora com uma melhor administração da dor.

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