P L Á S T I C A
Comissão de frente
turbinada Símbolo maior de feminilidade, um belo par de
seios é capaz de jogar a auto-estima de qualquer
mulher para as alturas
Por Marta Teixeira
Paulo Gibo/Top Look
No imaginário popular não há imagem de corpo feminino perfeito
sem um contorno sedutor dos seios.
Maiores, menores, não importa a ‘moda’ do momento, a região sempre recebeu atenção especial feminina quando o assuntoé melhorar o visual. Não por acaso,as cirurgias plásticas nesta parte do corpo
são o segundo tipo mais realizado no país. Segundo levantamento feito pela
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em 2004, os procedimentos nas mamas só perdiam em procura para a lipoaspiração.
Naquele ano, 54% das pessoas operadas (198.137 mil) recorreram à
lipoaspiração, enquanto outros 32% ( 117.759 mil) submeteram-se a algum
tipo de cirurgia nas mamas. A razão para isso é a cultura e as características climáticas do próprio país. “Aqui, você expõe
muito mais a mama por causa da praia, existe toda uma cultura do corpo. Muito mais que em países frios, por exemplo”,
ressalta o cirurgião plástico José Antônio Cezaretti. Especialista em cirurgia plástica pelo Conselho Federal de Medicina
e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, ele destaca que a preferência
popular mudou ao longo dos anos, mas a procura permaneceu sempre constante.
“A mama sempre ocupou lugar de destaque na cirurgia plástica brasileira.
Na década de 60 até 90 as mais comuns
eram as redutoras, mas sempre se colocou prótese, só que eram pequenas. As pessoas queriam dar um up, mas sem parecer que tinham colocado alguma coisa”, lembra. Hoje em dia, este tipo de
preocupação sumiu e o aumento de mamas tornou-se assunto tão corriqueiro
quanto um novo corte de cabelo.
Além da estética
Mas se a vaidade feminina, principalmente, é um dos grandes
motivadores na procura pelas intervenções cirúrgicas deste
tipo, não é o único. Às vezes, a operação é necessária quando
o tamanho excessivo das mamas gera problemas na coluna, no
pescoço, ou expõe a pessoa a constrangimentos sociais. A lógica
é a mesma para quem não tem quase nada nos seios ou ficou
com as estruturas caídas após uma gestação ou mesmo por fatores
genéticos e sente-se insegura pela situação. “Todo desvio
do que é considerado esteticamente aceito naquela sociedade
gera diferentes graus de complexo”, explica o especialista, justificando
a utilização do recurso. “Se é algo passível de correção,
quanto mais precocemente isso for feito, melhor”. Apesar
do apoio, Cezaretti é categórico quanto à necessidade de se
pensar bem antes de se submeter a uma operação plástica. Ele
não recomenda a operação para pessoas muito jovens. O ideal
é esperar até 17 ou 18 anos, quando a estrutura corporal está
definida. Cirurgia antes disso, só em casos muito específicos e
após consulta a especialistas de várias disciplinas. Com relação
à gravidez, existe a lógica e o mito. Algumas pessoas dizem que
fazer uma cirurgia mamária impede a mulher de amamentar no
futuro, mas isto não é certeza. “As cirurgias são conservadoras
para permitir esta função (amamentação)”, esclarece o médico.
Mama e barriga sofrem grande alteração em uma gestação e é
mais racional que você espere, tenha seus filhos e depois faça.
Mas não é proibido fazer antes. “O importante é fazer no momento
que você deseja e tem condições para isso”, conclui o Dr.Cezaretti.
Teste da plástica
A pergunta-chave na hora de tomar a decisão é: há quanto
tempo aquilo está te incomodando? “Pacientes que decidem
da noite para o dia são um risco. Assim como aqueles que
chegam sem saber exatamente o que querem”. Ter uma idéia
clara do resultado que se deseja é fundamental, assim como
selecionar bem o profissional que fará o serviço. Geralmente,
as duas coisas andam juntas. “Recomendações de pessoas que
foram submetidas ao mesmo procedimento e ficaram satisfeitas
são um bom começo”, reconhece o médico. Depois disso,
uma conversa franca e detalhada com o profissional é fundamental.
“Verifique a confiança que ele passa e o grau de preocupação
que tem com sua saúde. A recomendação de outro
profissional também pesa. Desconfie de médicos que fazem
aquela conversa rapidinha e já vão marcando a cirurgia. Seja
qual for a opção da paciente, Cezaretti lembra que a consciência
é fundamental. “Cirurgia feita, com raras exceções, não
tem volta. De qualquer forma, você já correu os riscos e teve os
custos”, alerta. “O paciente ideal fala exatamente o que deseja
e escuta o especialista”, resume.
Soluções para todos os problemas
Grandes, pequenas, flácidas, hoje em dia há solução para todo tipo de insatisfação com os seios. Para cada problema
há uma técnica mais indicada, mas apesar de todos os avanços tecnológicos,
todas permanecem fiéis aos princípios básicos. “Se você quer reduzir, terá de
cortar e retirar parte desta mama. Se quer aumentar, vai precisar de uma prótese”, resume o cirurgião plástico José Antônio Cezaretti.
Diminuindo...
Quando o assunto é redução, três técnicas são as mais comuns e a opção
por uma ou outra depende do quanto se quer retirar. A mais comum é a cicatriz em forma de T invertido, porque permite a retirada de uma grande parte de tecido. Alguns médicos fazem a incisão apenas na vertical. Mas, de
acordo com Cezaretti, o corte em volta da auréola ocorre em praticamente
100% dos casos. A cicatriz em L também é comum. Uma outra opção é a
técnica na qual o corte é feito exclusivamente em volta da auréola (periaureolar). Neste caso, o médico precisa
usar uma tela especial, parcialmente absorvível na região. “Poucos profissionais usam esta técnica por causa da tela”, explica Cezaretti, revelando o inconveniente principal da opção.
“Uma das desvantagens é que ela acaba alargando a auréola”.
Levantando... Há mamas que não precisam ser reduzidas,
apenas reposicionadas porque estão caídas e flácidas. Nestes
casos, o princípio é o mesmo da redução, mas retirando apenas a pele
excedente. Se há necessidade, são colocadas as próteses, que servem
também para o aumento no tamanho dos seios.
Aumentando...
Para turbinar os seios, é necessário recorrer às próteses. E, neste caso, há lugares bem estabelecidos para a introdução. No
sulco mamário (base da mama), formando uma cicatriz entre 4 a 5 centímetros, dependendo do tamanho da prótese
escolhida; na própria auréola, que é contornada como em um sorriso com a incisão próxima dos 4 centímetros também;
e pela axila. O acesso mais utilizado é pelo sulco mamário, porque a prótese já entra no plano em que vai ficar, isolando bem a mama da prótese. “A periaureolar manipula mais a mama e a axilar vai por cima de estruturas importantes, como os grandes vasos das axilas, além de deixar
uma cicatriz não ocultável por roupas”, explica o especialista. No mercado brasileiro de cirurgia plástica, as próteses mais adotadas são as de gel de silicone coeso. Macia e gostosa ao tato, não espalham
mesmo em caso de rompimento. “As próteses também evoluíram e estão
mais duráveis”, completa.
Orgulho nacional
Elite quando o assunto é cirurgia plástica, o país pode se orgulhar de contar
com alguns dos melhores profissionais da área, um setor que evoluiu muito nos últimos anos. Mas o que não mudou neste tempo todo é a necessidade de cuidados antes e depois das cirurgias. Antes,
com a escolha do profissional, depois com o pós-operatório. Se hoje em dia
uma cirurgia na mama não é mais acompanhada pelo engessamento da região e os curativos são mais leves, isso não significa
que os cuidados possam de ser ignorados. “A cicatrização é um fenômeno
fisiológico, que ocorre no primeiro mês após a cirurgia, na maioria dos casos”,
destaca. O médico também faz um alerta: “As pessoas têm a tendência de achar que hoje é muito diferente. Há mais conhecimento,
os materiais são diferentes, mas o cuidado no pós-operatório continua
necessário”.